terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Presença dos Contos Tradicionais de Câmara Cascudo na Literatura de Cordel


Contos Tradicionais do Brasil  em edição da Global Editora


Contar histórias tem sido, ao longo das eras, um assunto sério e também um ameno entretenimento. Ano após ano, histórias são inventadas, escritas, devoradas e esquecidas. Que acontece com elas? As poucas que sobrevivem e que, como sementes dispersas, o vento esparge durante gerações, engendram novos contos e proporcionam alimento espiritual a inúmeros povos. (...) Cada poeta acrescenta algo da substância de sua própria imaginação e as sementes, nutridas, revivem.(Heinrich Zimmer)

No Brasil, à margem da cultura livresca, dos moldes forçosamente importados, dos salões engalanados, vicejou opulenta, portentosa, espantosa literatura oral, fazendo, muitas vezes, pela boca de uma única pessoa se manifestarem civilizações há muito defuntas. Pode se argumentar que apenas um retalho, ou, menos ainda, um fiapo das antigas tradições chega até nós. Mas não é pouco. Na contística popular do Nordeste, por exemplo, é possível se escutar uma história que, em linhas gerais, é a mesma que os povos estabelecidos à margem do Nilo, no Egito, repetem há mais de 3.000 anos. As nossas orações aos santos, ligeiramente modificadas, em tempos de antanho, devem ter acalmado a fúria e comprado o obséquio de muitos deuses de incontáveis panteões. Dessa literatura oral a arte de um país que se pretende sério será sempre a maior tributária. A Literatura de Cordel é um dos galhos desta árvore. Se dela se desprender, perderá o sentido e a razão de existir.

A Literatura de Cordel no Brasil, a partir dos poetas pioneiros Leandro Gomes de Barros e Silvino Pirauá de Lima, sempre teve no conto popular um motivo essencial. As histórias que sobreviveram à peneira do tempo e chegaram até nós, refundidas em versos de sete sílabas, são o que há de mais característico no Cordel. Embora determinados pesquisadores reduzam o Cordel no Brasil à sua (importante) função de “jornal de povo”, é no manejo do material tradicional, oriundo ninguém sabe d’onde, trazido ninguém sabe por quem, que o poeta popular sempre estará mais à vontade. Foi dos contos populares, em suas múltiplas classificações, que nos chegaram os grandes clássicos da Literatura de Cordel.Os motivos dos romances e folhetos são os mais diversos: princesas encantadas, como Rosamunda ou a da Pedra Fina; heróis imponentes enfrentando todo tipo de perigo e malefício, a exemplo de João Corajoso, João Valente, João Sem-Medo, João Acaba-Mundo, João de Calais, João Soldado e, para variar, Juvenal e o príncipe Roldão. Estes são personagens saídos diretamente dos contos maravilhosos, também chamados contos de encantamento ou, por influência europeia, contos de fadas.

Mas o universo do Cordel é bem mais amplo: engloba ainda as histórias de animais, calcadas nas velhas fábulas, onde o riso brota espontâneo nos lábios de quem as lê ou as escuta. É a magia da literatura oral preservada no bom Cordel. Falando em riso, alguns personagens do Cordel, famosos por sua peraltice, têm origem também nos contos populares. Os exemplos mais notórios são os de João Grilo e Pedro Malazarte (ou Malasartes). São os amarelinhos, que trapaceiam os poderosos, sejam eles fazendeiros, sultões, ou o próprio Diabo. À lista dos sabichões devem ser acrescentados Cancão de Fogo, criação do genial Leandro Gomes de Barros, que estreou no Cordel antes de seus colegas Grilo e Malazarte, e também os poetas portugueses Camões e Bocage. Estes últimos, nos contos faceciosos, nas anedotas e no Cordel, possuem os mesmos atributos dos amarelinhos.

No Cordel, as histórias dramáticas quase sempre têm origem em livros de grande aceitação popular. Em alguns casos parecem fugir à estrutura do conto tradicional, embora tragam elementos originários deste, como a condenação de uma pessoa à morte, para se evitar o cumprimento de uma profecia. Outras vezes, tal condenação se dá por uma falsa acusação, geralmente imputada a uma esposa virtuosa por um cunhado devasso. A vítima é salva na última hora por um surto de piedade do carrasco e pelo acaso feliz de sempre ter um animalzinho por perto, que será morto em lugar do (a) condenado (a), fornecendo um pedaço de seu corpo (língua, fígado, coração) para comprovar a execução. O divulgadíssimo conto Branca de Neve e os Sete Anões (na versão dos Irmãos Grimm) e Maria de Oliveira, recolhido por Câmara Cascudo, trazem o mesmo motivo que, aliás, está na Bíblia, no livro de Gênesis, mais especificamente na história de José, quando seus invejosos irmãos ludibriam o pai, Jacó, fazendo-o crer na morte do filho, apresentando como prova suas vestes manchadas em sangue de carneiro.

É de Câmara Cascudo que passaremos a falar agora. Aliás, do universo da novelística popular a quem o devotado Mestre rio-grandense do norte dedicou alentados estudos, além de registrar algumas das mais belas versões, enfeixadas no volume Contos Tradicionais do Brasil. Todavia, seu trabalho ultrapassou o registro e a classificação dos contos. Pesquisador infatigável em sua honestidade intelectual, Câmara Cascudo estudou as raízes históricas e imaginou um possível trajeto que, nas veredas do espaço e do tempo, tenha possibilitado a esse tesouro imaterial chegar até nós e por aqui se aculturar. Quando possível, ele nos aponta referências na literatura clássica, detecta as pegadas dos heróis do conto maravilhoso em episódios da mitologia greco-romana e nos livros de indiscutível ancianidade da Índia dos Vedas e do Mahabharata.

Meu papel é estabelecer ligações entre os contos populares recolhidos e anotados por Câmara Cascudo e os folhetos e romances de Cordel diretamente inspirados nesta fonte ou que, mesmo com outra origem, estão vinculados ao trabalho do Mestre, que, melhor do que ninguém, conhecia a universalidade dos temas, tipos e motivos. Só é preciso atentar para um detalhe: às vezes acontece de o poeta popular, garimpeiro do inconsciente coletivo, se valer de mais de uma história para, ao final, apresentá-la como narrativa única. Exemplo: Proezas de João Grilo, de João Ferreira de Lima, é uma reunião de pequenas facécias, enfeixadas numa única história, resultado de uma compilação que tornará possível ao Grilo saltar do “sítio onde morava” para o Egito. Lá, terá de responder às perguntas do rei Bartolomeu, o sultão, dentre elas, o mesmo enigma que a Esfinge, um dos símbolos do Egito, propôs a Édipo:

Responda qual o animal
Que mostra mais rapidez
Que anda de quatro pés
De manhã por sua vez
Ao meio-dia com dois
À tardinha anda com três.

Tal qual o desafortunado herói grego, João Grilo responde que o animal em questão é o homem nas diferentes etapas de sua vida. Não por acaso, um dos contos da safra de Câmara Cascudo, Adivinha Adivinhão, compõe o mosaico de proezas do célebre amarelinho. O livro das Mil e Uma Noites traz exemplos muito próximos do motivo da inteligência posta à prova, enredo básico de muitos títulos de Cordel, sobressaindo-se no gênero a História da Donzela Teodora. Câmara Cascudo, aliás, nem ousava discutir a origem árabe da Donzela, no que estava coberto de razão. Há versões da mesma história nas Mil e Uma Noites, em que a Teodora tem o nome de Escrava Simpatia (La Docta Simpatia, emCinco Livros do Povo).

Câmara Cascudo e Silvio Romero registraram, respectivamente, A Princesa AdivinhonaO Matuto João, em que o protagonista é um amarelo que decifra um enigma, obtendo como prêmio a mão da princesa que o formulara. Obviamente, o amarelo não é outro senão o nosso João Grilo, irmão gêmeo de Pedro Malazarte e, como foi comprovado, parente não muito distante da Donzela Teodora.Portanto, não mentem os que afirmam que o nosso João Grilo, apresentado ao mundo por Ariano Suassuna, como símbolo da malícia e sabedoria do nordestino espoliado, é um personagem das Arábias.Como o percurso da literatura oral é o mais improvável, até os célebres contos de Grimm e Perrault estão espalhados, na íntegra ou em partes, nas coletâneas de Câmara Cascudo e de outros folcloristas e na memória de muita gente ainda viva mas silenciada pela televisão.

Chapeuzinho VermelhoO Pequeno PolegarJoãozinho e Maria, entre outros, estão presentes no Contos Tradicionais do Brasil, sem falar de Bicho de Palha, versão tupiniquim de Pele de Asno, de Perrault. O conto Os Quatro Irmãos Habilidosos, de Grimm, mereceu do poeta popular Manoel D’Almeida Filho uma adaptação famosa, Os Quatro Sábios do Reino. Assim como O Fogo Rejuvescedor, também da coleta dos alemães, foi rebatizado em Cordel: Jesus e o Mestre dos Mestres. E, geralmente, as fontes do poeta popular não são os livros impressos mas o livro, o grande livro que é o inconsciente coletivo.

Mestre maior do folclore brasileiro.
Algumas vezes se faz presente na história em Cordel um ou outro episódio onde se evidencia a matriz do conto popular. O ciclo que Câmara Cascudo denominou Natureza Denunciante fornece um motivo relevante para aquela que talvez seja a mais comovente história urdida por um bardo popular, O Cachorro dos Mortos, de Leandro Gomes de Barros. A cena é esta: a jovem Angelita, após ver seus irmãos serem mortos pelo brutal Valdivino, por ela repudiado, evoca as únicas testemunhas do bárbaro crime – ela morreria em seguida –, que eram o cachorro Calar, um “gameleiro” e uma flor. Reafirmando a sabedoria popular, o assassino retorna ao local do crime e é reconhecido pelo cachorro, despertando com sua algazarra a desconfiança das autoridades presentes a uma festa anual realizada no local onde os três desventurados irmãos receberam sepultura. Uma carteira encontrada por duas crianças num ninho de rato no “gameleiro” com uma confissão de próprio punho do assassino, é a prova cabal de seu crime e a realização do decreto de uma justiça invisível porém infalível, na qual ainda creem os nossos autênticos sertanejos.Na linha do exemplo famoso, reproduzido na sinopse acima, Câmara Cascudo nos conta de um homem curiosamente chamado Valdivino, assassinado por ladrões num ligar deserto. As testemunhas do crime são duas garças que passam voando e a quem Valdivino recorre no momento derradeiro. Numa ocasião festiva, um dos bandidos se trai justamente no momento em que passam duas garças voando e que ele, distraidamente, exclama: “Lá vão as testemunhas de Valdivino!...” Os circunstantes, amigos do desaparecido, descobrem os criminosos e, como no famoso romance de Leandro, a natureza denuncia mais um crime...

Enfim, são muitas as associações entre a Literatura de Cordel e os contos populares, quaisquer que sejam os gêneros ou os ciclos temáticos. Algumas vezes essas associações aparecem sutilmente costuradas num enredo mais denso, mas perfeitamente integradas à trama, como em O Cachorro dos Mortos.


Nota do blog: Parte deste texto, de autoria de Marco Haurélio, integra a introdução da caixa temática 12 Contos de Cascudo em Cordel, editada pela Queima-Bucha.

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Cinco livros de Marco Haurélio são aprovados no PNLD Literário



Foi divulgado, no Diário Oficial da União, no dia 28 de agosto, o resultado do Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD 2018 Literário), do Ministério da Educação. Cinco títulos de autoria de Marco Haurélio foram aprovados no programa. 

Segue a lista com seus respectivos códigos:


  • Peripécias da Raposa no Reino da Bicharada (SEI/LeYa). Ilustrações de Klévisson Viana  (cód. 1415L18601)
  • Mateus, Esse Boi é Seu (DCL/Farol). Ilustrações de Jô Oliveira  (cód. 0768L18602)
  • Bafafá na Arca de Noé (DCL/Universo dos Livros). Ilustrações de Anabella López  (cód. 0546L18601)
  • Lucíola em Cordel (Manole) Ilustrações de Luís Matuto  (cód. 0691L18601)
  • O Circo das Formas (Estrela Cultural). Ilustrações de Camila de Godoy  (cód. 0349L18601)

Nesta etapa, a escolha caberá às escolas públicas de todo o Brasil. 


segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Romance de cordel remete a clássico da literatura



História de Belisfronte, o Filho do Pescador (Editora Luzeiro), um dos grandes textos da moderna literatura de cordel, de autoria de Marco Haurélio, traz ecos com conto de Apuleio, Eros e Psiquê, que integra O Asno de Ouro (século II a.C.).

Peço às deusas que habitam
O Reino da Poesia
Que venham em meu auxílio
Dando-me sabedoria,
Para versar uma história
De fé, encanto e magia.

Onde a Fortuna sorri
A quem é merecedor,
Por isso narro este drama
Sobre um moço de valor:
A História de Belisfronte,
O Filho do Pescador.

Em um longínquo país
Habitava um camponês
Ao lado de sua esposa –
Os seus filhos eram três:
Eram pobres ao extremo,
Não tinham voz e nem vez.

Aquele pobre campônio
Sempre viveu do roçado,
Mas agora o que plantava
Não dava mais resultado;
Como se a Providência
Lhe houvesse abandonado.

Isto porque a semente
Que na terra ele lançava
Em forma de alimento
Ela jamais retornava
E a fome, cruel flagelo,
Toda a família assolava.

O velho então resolveu
Tornar-se um pescador,
A profissão de São Pedro,
Discípulo do Salvador,
Pensando em pôr fim àquele
Quadro desalentador.

E, assim, foi para o rio,
Munido de rede e anzol.
Disse: - Peixe nunca falta,
Faça chuva ou faça sol,
Os ribeiros estão cheios,
Do crepúsculo ao arrebol.

Pacientemente, o velho
Lá ficava todo o dia,
Até que o manto da noite
Aquele vale envolvia,
Mas, para surpresa dele,
Nenhuma piaba havia.

Pouco a pouco o desespero
Ia a esperança minando,
Com o aguilhão da miséria
O pobre velho açoitando.
Ele, então, olhou o Empíreo
E assim foi suplicando:

— Oh, Deus, Pai da humanidade,
Olhai este penitente
A quem a Sorte mesquinha
Mostra-se indiferente!
Enviai um lenitivo
Para meu tormento, urgente!

domingo, 31 de dezembro de 2017

Literatura de Cordel: tradição e contemporaneidade


Por Marco Haurélio 

A literatura de cordel que imperou no Nordeste, em fins do século XIX até o terceiro quartel do século XX, é, em linhas gerais, a poesia popular impressa e herdeira do romanceiro tradicional, da literatura oral (em especial dos contos populares, com predominância dos contos de encantamento). O cordel é um dos galhos da árvore da poesia popular, como o repente também o é. Mas cordel e repente não são a mesma coisa, pois, à medida que a árvore cresce, os galhos vão se distanciando, embora estejam unidos pela origem comum. Grandes repentistas se aventuram pelas sendas do cordelismo, a começar por Silvino Pirauá de Lima (1848-1913), um dos pioneiros da literatura popular, autor dos clássicos O Capitão do Navio e Zezinho e Mariquinha.

Outros poetas que transitaram por ambas as sendas foram José Galdino da Silva Duda, José Vila Nova (pai do famoso Ivanildo), Natanael de Lima, Severino Borges Silva, entre outros grandes nomes já falecidos. Entre os vivos, vale citar José João dos Santos, o Mestre Azulão – paraibano radicado no Rio de Janeiro, um dos fundadores da feira de São Cristóvão - e Antônio Américo de Medeiros, potiguar estabelecido em Patos, Paraíba. Repentistas que se aventuram com sucesso pela literatura de cordel, apesar de raros nos dias atuais, existem. E gente do primeiro time: Geraldo Amâncio Pereira, apresentador do programa televisivo Ao Som da Viola, pela TV Diário; Sebastião Marinho, presidente da União dos Cordelistas, Repentistas e Apologistas do Nordeste – UCRAN, sediada em São Paulo; e Zé Maria de Fortaleza, para ficar em alguns poucos mas significativos nomes.Então, tiremos de uma vez por todas a dúvida: repentista não é cordelista, e cordelista não é repentista. Repentista pode ser cordelista, e vice-versa. Mas não é regra.

Quando a literatura de cordel, ou de folhetos, estava engatinhando e tomando forma, no tempo do poeta maior Leandro Gomes de Barros (1865-1918), viviam, na região do Teixeira, Paraíba, afamados cantadores, como Inácio da Catingueira, Romano da Mãe d’Água e o próprio Pirauá. Havia uma presença mais marcante da oralidade, pois, nesse tempo, eram poucos os alfabetizados. Mas, nas raras horas de ócio, as pessoas se reuniam em torno de alguém que soubesse ler, e se deleitavam com os romances fenomenais do Mestre Leandro: O Cachorro dos MortosOs Sofrimentos de AlziraA Força do Amor, O Boi Misterioso. Outros poetas surgiram, alguns geniais. A edição e comercialização da literatura de cordel atingiram um alto grau de profissionalismo com João Martins de Athayde, poeta paraibano estabelecido no Recife, e com Francisco Lopes, pernambucano levado pela onda migratória a Belém do Pará, onde dirigiu a lendária Guajarina. Outros editores que aperfeiçoaram o comércio do cordel foram José Bernardo da Silva, sucessor de Athayde, em Juazeiro do Norte, João José da Silva, com a Luzeiro do Norte em Recife e Manoel Camilo dos Santos, que pontificou entre Guarabira e Campina Grande.

Outros nomes dignos de nota são José Alves Pontes (Guarabira), Joaquim Batista de Senna, paraibano que fez história no Ceará, e Manoel Caboclo, estabelecido com sua folhetaria Casa dos Horóscopos em Juazeiro. Em São Paulo desde os anos de 1910 existia a Tipografia Souza, fundada pelo imigrante português José Pinto de Souza. Em 1950, desta tipografia surgiu a Editora Prelúdio, já dirigida pelos irmãos (adotivos) Arlindo Pinto de Souza, filho de José, e Armando Lopes. Dois anos depois, a editora publicaria seu primeiro cordel no formato que a consagrou, com capa em policromia e tamanho maior que o nordestino (13,5X18). Era um romance chamado O Amor que Venceu, de Antônio Soares de Maria. Um dramalhão muito ruim, diga-se. No mesmo período, o ex-garimpeiro e poeta popular Antônio Teodoro apresenta alguns originais à editora. Teodoro escrevia sobre tudo, para todos. Seu cordel Vida e Tragédia do Presidente Getúlio Vargas, de 1954, escrito após o suicídio de Getúlio vendeu, na primeira edição, impressionantes 260 mil exemplares. Começa o período áureo da literatura de cordel fora do Nordeste.

Entretanto o tempo, os problemas econômicos, o êxodo rural e a escassez de bons poetas, após a geração que vai até a década de 1940 (Eneias Tavares dos Santos, João Firmino Cabral, Manoel Monteiro, João Lucas Evangelista, Mestre Azulão, Cícero Viera, entre outros) fizeram com que as trombetas fúnebres, na década de 1980, decretassem a morte do cordel. A Editora Luzeiro, sucessora da Prelúdio, foi a única a sobreviver às crises e seguiu imprimindo os clássicos do gênero sob a orientação abalizada de Manoel D’Almeida Filho. Em 1990, Arlindo Pinto vende a editora à firma dos Irmãos Nicoló, e a Luzeiro passa por um período de dificuldades, no mesmo período em que morre Manoel D’Almeida Filho, amargurado ante o futuro incerto da editora e da própria literatura de cordel. Hoje, Gregório Nicoló é o único proprietário, e a Luzeiro, superando os problemas, renova as suas publicações, mantendo os títulos tradicionais, ainda com boa aceitação popular.

Nos anos 1990, surge no Ceará uma nova geração de talentosos poetas populares, capitaneada por Klévisson Viana, que fundaria a Editora Tupynanquim, em Fortaleza. Klévisson, juntamente com seu irmão Arievaldo Viana, Rouxinol do Rinaré (nome de guerra de Antônio Carlos da Silva), Evaristo Geraldo, José Mapurunga e outros valores daquele estado restituíram à Fortaleza a tradição que teve nos poetas editores Moisés Matias de Moura, Luís da Costa Pinheiro e Joaquim Batista de Sena, firmes baluartes tempos atrás. No Rio de Janeiro, Gonçalo Ferreira da Silva, cearense de Ipu, poeta com raízes eruditas e populares, concebeu e deu vida à Academia Brasileira de Literatura de Cordel, a ABLC, em 1988. Na ata de fundação, nomes históricos da literatura de cordel emprestam seu prestígio à entidade. A Academia acabou se fundindo com a Casa de Cultura São Saruê, criada pelo General Umberto Peregrino, e incorporou ao seu acervo preciosidades hoje à disposição de estudiosos e entusiastas do cordel. Outras entidades espalhadas pelo Brasil continuam a luta encampada por Rodolfo Coelho Cavalcante (1918-1986), maior liderança da história do cordel, responsável pelo Primeiro Congresso de Trovadores e Repentistas, de 1955.

Os maiores sucessos são os eternos clássicos O Pavão Misterioso (José Camelo de Melo Resende), A Chegada de Lampião no Inferno (José Pacheco), As Proezas de João Grilo (João Ferreira de Lima) e A Peleja do Cego Aderaldo com Zé Pretinho do Tucum (Firmino Teixeira do Amaral). Lampião é a personagem histórica de maior projeção, e sua popularidade resiste à era digital. O maior romance ainda é O Direito de Nascer, de Manoel D’Almeida Filho, com 719 sextilhas. No formato livro, ressalve-se. É nesse formato que o cordel está chegando a um outro público, além do tradicional. Em São Paulo, neste 2008, a editora Nova Alexandria lançou, sob minha coordenação, a Coleção Clássicos em Cordel, com releituras de obras clássicas por cordelistas respaldados. Já foram impressos O Corcunda de Notre-Dame, de João Gomes de Sá, e Os Miseráveis, de Klévisson Viana. Ambas adaptações de obras famosas do escritor francês Victor Hugo. Outros títulos estão a caminho.

João Acaba-Mundo e a Serpente Negra, de Minelvino Francisco Silva,
cordel clássico com capa em policromia, assinada por Mateus (19
59).
Ilustrações A ilustração não nasceu com o cordel. Antes eram usadas as chamadas “capas cegas”, sem qualquer ilustração. A xilogravura é um fenômeno relativamente recente, apesar de ter sido usada em 1907, na ilustração de uma capa de um folheto de Francisco das Chagas Batista enfocando Antônio Silvino. Fato isolado. Os desenhos e os clichês de cartões postais e com fotos de artistas de Hollywood eram os preferidos dos editores, a começar pelo lendário Athayde. A xilogravura nunca teve ampla aceitação no meio popular, mas a Academia a adotou como a ilustração por excelência dos folhetos de cordel. A bem da verdade, diga-se: a xilogravura é a ilustração mais característica, mas não a única. A essência de um bom cordel está no texto e não na capa, no vestuário. O cordel (texto e ilustração) evoluiu, e nenhum poeta ou editor antenado abre mão da tecnologia para oferecer ao público edições bem cuidadas. Sem esquecer a tradição, sem desprezar a modernidade. O cordel, por conta disso, chega vivo e com fôlego ao século XXI.
O Padre Jogador, editado por Leandro Gomes de Barros.
Nota: Texto publicado originalmente em junho de 2008. 

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Tupynanquim Editora lança peleja reunindo dois grandes expoentes do cordel

Capa do livreto com xilo de Maércio Siqueira

A título de informação


Por Marco Haurélio

Pelejas virtuais não são incomuns em tempos de redes sociais e de serviços de mensagens instantâneas. Braulio Tavares, por exemplo, já havia contendido com Klévisson Viana e Astier Basílio. As várias modalidades foram debulhadas em trocas de e-mails, portanto, ainda sem a presença de uma “plateia”. Não parece, mas disputas do tipo vêm de longe, desde 1997, quando Américo Gomes, da Paraíba, e José Honório, de Pernambuco, desfraldaram a bandeira. Há inclusive uma pesquisa ampla, um inventário transformado em tese de doutoramento e em livro, com o inusitado título No Visgo do Improviso ou a Peleja Virtual entre a Cibercultura e Tradição, de autoria da professora Maria Alice Amorim.

O diferencial desta nova peleja é que o palco foi a maior das redes sociais, o Facebook, entre os dias 7 e 14 de setembro, nos poucos minutos de folga de que dispúnhamos. E, como em todo bom pé-de-parede, a nossa gesta virtual foi acompanhada por um grande público, com sugestões de temas e motes e eventuais aplausos. Começamos com a tradicional sextilha, evoluímos para o martelo agalopado, com mote proposto pelo poeta, pesquisador e apologista Ésio Rafael, passamos à gemedeira, por sugestão do também poeta Rouxinol do Rinaré, e ao galope à beira-mar (versos hendecassílabos). A disputa abarcou ainda outras modalidades: No tempo de Pai Tomás, Preto Velho e Pai Vicente, Nos oito pés a quadrão (oitavas), martelo alagoano (decassílabos). Os versos de despedida foram embalados pelo mote Povo bom, muito obrigado/ Adeus, até outro dia!

Agora publicada em folheto pela Tupynanquim Editora, de Klévisson Viana, com capa em xilogravura de Maércio Siqueira, a peleja alcança novos leitores, promovendo o casamento antes inimaginável da tecnologia com a tradição.

Pedidos: Tupynanquim Editora

E-mailtupynanquimcordelbrasil@gmail.com

Trechos selecionados:

SEXTILHAS

Marco Haurélio
Dos poetas que conheço,
Destaco Braulio Tavares,
Pelas canções instigantes,
Pelos versos singulares,
Que têm o cheiro dos épicos
E das gestas milenares.

Bráulio Tavares
Eu destaco, entre os meus pares,
o poeta Marco Haurélio
com o vocabulário vasto
do Houaiss ou do Aurélio,
e o verso que sobe aos ares
igual um balão de hélio.

MH
Já que começou o prélio,
Meu amigo menestrel,
Com sua verve e sabença,
De quem à arte é fiel,
Responda, sem titubeio,
O que vem a ser cordel?

BT
Inspiração a granel,
Contos de fadas, de reis,
Cangaceiros, cantadores,
Pelejas e ABCs,
Tudo isso num livrinho
De 11 por 16.

MH
Tem versos de amor cortês,
Forjados com muito enlevo;
Nas cantigas que compões,
E nos romances que escrevo,
Vejo o futuro agarrado
Nas barbas do Medievo.

BT
É livre igualmente o frevo;
É nosso como o baião;
É clássico como a valsa;
Popular como o rojão;
Tem música, tem poesia,
Verdade, imaginação.


MH
É o canto do sertão,
Das cidades e das serras.
A voz que clama por paz,
O grito que cessa as guerras,
Nordestino e brasileiro,
Com ecos de longes terras.

BT
Tu certamente não erras
ao dizer que essa poesia
não tem somente beleza:
tem coragem e alegria
e entre os dramas do mundo
nos serve de luz e guia.

MARTELO AGALOPADO

BT
Sou menino criado na cidade
Nunca tive uma infância na fazenda
O sertão para mim foi uma lenda
Que pairou sobre a minha mocidade.
Conheci o sertão, isto é verdade,
Assistindo o cinema brasileiro;
Glauber Rocha me deu esse roteiro
E eu que sou bom aluno fui atrás...
Os chocalhos são sinos matinais
Nas dolentes canções do bom vaqueiro.

MH
E eu nasci numa casa de adobão,
Com a frente pintada de amarelo;
Era ali minha choça e meu castelo,
O meu reino encantado do sertão.
Escutando as canções de Gonzagão,
Mais as joias do nosso romanceiro,
Na varanda ou ao pé do juazeiro,
Espargidas por ventos ancestrais –
E os chocalhos são sinos matinais
Nas dolentes canções do bom vaqueiro.

BT
Lembro o carro de boi gemendo tanto
sob o fogo do sol do Cariri,
Muitas férias passei brincando ali
onde o sol cauteriza um solo santo.
Mas a noite descia com seu manto,
agasalho tão bom e hospitaleiro...
Eu dormia, acordava bem ligeiro
a ouvir badaladas lá por trás:
os chocalhos são sinos matinais
nas dolentes canções do bom vaqueiro.

MH
Desta imagem também jamais me esqueço:
Velho carro de boi com seu rangido:
Era alegre, era triste, era um gemido,
Cantilena sem fim e sem começo,
E a parelha seguia sem tropeço
Ao comando bem firme do carreiro.
Se hoje o carro apodrece no terreiro,
O carreiro é que geme em tristes ais:
Os chocalhos são sinos matinais
Nas dolentes canções do bom vaqueiro.


GEMEDEIRA

MH
Geme o país que nasceu
Da esperteza de Cabral;
Geme o pendão auriverde
Sob a triste bacanal;
Geme o índio, geme o negro
Ai! ai! ui! ui!
Nessa terra desigual.

BT
Todos gemem por igual
Nestas redes sociais,
Muro das lamentações
Onde todos são iguais:
Disputando com vaidade
Ai ai, ui ui
Para ver quem geme mais.

MH
Geme nos canaviais
O trabalhador exangue;
Geme o home-caranguejo
Soterrado sob o mangue;
Geme ainda o operário
Ai! ai! ui! ui!
Que morre cuspindo sangue

BT
No meio do bangue-bangue
Todo mundo chora e treme,
Pelos becos da favela
Passa bandido e PM
Uns que matam, uns que morrem
Ai ai, ui ui
Porém todo mundo geme.


GALOPE À BEIRA-MAR

MH
Mudando de estilo, por outras paragens,
Sigamos agora com nossa peleja:
Da grimpas dos Andes à chã sertaneja,
O verso permite diversas viagens.
Sem Timothy Leary a encher as bagagens,
Com fome e com sede do eterno buscar,
Nas tábuas de argila, nas mesas do bar,
Na longe Cocanha ou na caixa-prego
Na luz escondida nos olhos do cego,
Nos dez de galope na beira do mar.

BT
A rima deixada é a mesma que eu pego,
E ligo o motor pra subir nas alturas,
Nas asas do vento das literaturas
Eu vôo e eu nado, mergulho e navego.
Meu verso é composto de peças de Lego
É só ir pegando e depois encaixar
Formando um conjunto que dê pra cantar
Dizendo as belezas do mundo da escrita
Em verso e em prosa se escreve e recita
Cantando galope na beira do mar.

MH
Na velha Tebaida, me fiz eremita,
De lá alcei voo pra os mares do sul,
Vi Constantinopla virar Istambul,
E a sanha cruzada na terra ‘bendita’;
Vi Fitzcarraldo, com grande pepita,
Na verde floresta querer navegar,
Cantando uma loa para o rei Lear,
Pensando se estava tão longe ou tão perto.
Cansado de tudo, voltei ao deserto,
Sonhando que estava na beira do mar.

BT
Tornei-me famoso por ter descoberto
os grandes tesouros de terras distantes;
lutei contra gregos, salvei os atlantes,
mostrei a Colombo o caminho mais certo.
Na Besta Fubana do tal Luís Berto
montei corajoso e me pus a voar,
cruzando o espaço na luz do luar
por entre uma nuvem de naves e drones
igual um dragão de um Game of Thrones
cantando galope na beira do mar.

MH
Na terra tomada por fogo e ciclones,
Sorri o tirano de juba acaju,
Sentindo no rabo o tridente de Exu,
Enquanto se estorce na guerra dos clones;
E sobre as ruínas não há cicerones,
Nem sheiks barbudos e nem lupanar.
A paz posta a ferros, a guerra a gritar
E agentes laranjas trazendo pavor,
Deixando giestas na cova do amor
Nos dez de galope na beira do mar.

BT
País que se preza não quer salvador
Nação com moral não precisa de heróis
Precisa de votos, precisa de voz,
Lutando, cantando, do jeito que fôr.
Na hora difícil se sente o valor
Do quanto se perde e não pode salvar,
A guerra é a guerra, a terra é o lar,
O chão é do povo, a vida é da gente,
O mundo é cruel, mas a alma é valente
Nos dez de galope na beira do mar.


NO TEMPO DE PAI TOMÁS
PRETO VELHO E PAI VICENTE

MH
Caro poeta,
Afine a sua viola,
Busque dentro da cachola
A resposta mais certeira.
Nossa bandeira
Do cordel e do repente
É ampla e é abrangente:
Muitas novidades traz
No tempo de Pai Tomás
Preto Velho e Pai Vicente.

BT
Tô acordando
Dum sono bom e profundo
Retornando para o mundo
Pra ver o que acontece;
E me aparece
Marco Haurélio pela frente
Com um “balai” de repente,
Com cara de quem quer mais
No tempo de Pai Tomás
Preto Velho e Pai Vicente.



quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

O Auto da Compadecida e a literatura de cordel


Por: Marco Haurélio


Foi num folheto de gracejo que Ariano Suassuna encontrou o personagem-símbolo de sua dramaturgia. As Proezas de João Grilo (ver trecho abaixo), história escrita em 1932 por João Ferreira de Lima, trazia como protagonista o célebre amarelinho oriundo dos contos populares portugueses, que, no processo de aculturação, ganhou características idênticas às de outro famoso espertalhão de origem ibérica: Pedro Malazarte. Esse mesmo João Grilo será reaproveitado no Auto da Compadecida, transformado em filme em 2000 por Guel Arraes, com Mateus Nachtergaele (João Grilo) e Selton Melo (Chicó) nos papéis principais.

João Grilo foi um cristão
que nasceu antes do dia,
criou-se sem formosura
mas tinha sabedoria,
e morreu depois da hora
pelas artes que fazia.

(...)

Na noite que João nasceu,
houve um eclipse na lua,
e detonou um vulcão,
que ainda continua.
Naquela noite correu
um lobisomem na rua.

(...)

Entretanto, a Compadecida se baseia em três folhetos distintos, dois deles escritos por Leandro Gomes de Barros. O primeiro é O Cavalo que Defecava Dinheiro, que mostra como um finório consegue lograr um duque invejoso convencendo-o de que um cavalo é realmente capaz de obrar (sem trocadilho) o prodígio do título. Obviamente quem assistiu à peça ou à uma de suas versões para o cinema, sabe que o cavalo foi transmutado num gato, por motivos mais que compreensíveis. O outro poema de Leandro reaproveitado por Suassuna é O Dinheiro (O Testamento do Cachorro), onde aparecem as figuras do padre e do bispo. A autoria de Leandro é inquestionável, embora a origem dos motivos que compõem a estória seja mais difícil de rastrear. O próprio Ariano reconhece essa dificuldade quando afirma: “- a história do testamento do cachorro, que aparece no Auto da Compadecida, é um conto popular de origem moura e passado, com os árabes, do Norte da África para a Península Ibérica, de onde emigrou para o Nordeste”.

Além destes dois poemas de caráter marcadamente cômico, o Auto propriamente dito – a última parte – tem por base o folhetoO Castigo da Soberba, de autoria desconhecida, embrora alguns atribuam-na a Silvino Pirauá de Lima. A história tem a marcante presença do imaginário medieval que impregna a obra de Gil Vicente, outra evidente fonte de Suassuna. Maria (Nossa Senhora) é a advogada. Jesus o Juiz, e o Diabo o acusador. É a Nossa Senhora – a “advogada nossa” da oração Salve Rainha – que a alma recorre, em vista da iminente condenação. Evocada em nome de seu bendito filho, ela responde à súplica da alma. No final, após ouvir acusação e defesa, Jesus – no folheto também chamado Manuel – decide pela salvação da alma. O Diabo (Cão), vencido, chama os seus comandados. A estrofe abaixo reproduzida, com a última fala do tinhoso, está bem próxima do desfecho do Auto da Compadecida:

Vamos todos nós embora
Que o causo não é o primeiro,
E o pior é que também
Não será o derradeiro...
Home que a mulher domina
Não pode ser justiceiro.

Os três folhetos, diga-se de passagem, foram coligidos por Leonardo Mota no livro Violeiros do Norte. Indiretamente, este pesquisador cearense, ao reunir as três obras em seu precioso estudo, apontou o caminho que Ariano Suassuna deveria seguir, mesmo apoiando-se em outras tradições populares – especialmente o Bumba-meu-boi, onde os personagens Mateus e Bastião cumprem um papel semelhante ao de João Grilo e Chicó na Compadecida.

João Grilo marcou presença em outros folhetos de cordel, com destaque para O Professor Sabe-Tudo e as Respostas de João Grilo (de Klévisson Viana), A Professora Indecente e as Respostas de João Grilo (de Arievaldo Viana, João Grilo, um presepeiro no palácio (de Pedro Monteiro) e Presepadas de Chicó e Astúcias de João Grilo (de Marco Haurélio). O sucesso do Auto da Compadecida no cinema parece ter motivado o diretor Moacyr Góes a filmar O Homem que desafiou o Diabo (2007), baseado no livro As Pelejas de Ojuara, de Nei Leandro de Castro, que, por sua vez, parte de folhetos de cordel do ciclo do Demônio Logrado.


Publicado originalmente em Cordel Atemporal

sábado, 16 de dezembro de 2017

Xilogravuras de Lucélia Borges


Teiú (ou Tejo)

Lucélia Borges, natural de Serra do Ramalho (BA), mas radicada em São Paulo, uma das idealizadoras do projeto Cordel: a Poesia Encantada do Sertão, agora dedica-se à arte da xilogravura. Seu trabalho homenageia a cultura popular e as crenças e costumes de nosso povo. Recentemente, ilustrou para Pedro Monteiro, poeta piauiense, os folhetos A Lenda do Cabeça de Cuia, Cumade Fulozinha e A lenda de Iara. Ilustrou ainda os infantojuvenis Ithale: fábulas de Moçambique (Editora de Cultura), de Artinésio Widnesse, Moby Dick em cordel (Nova Alexandria), de Stelio Torquato, e A Jornada Heroica de Maria (Melhoramentos), de Marco Haurélio, premiado com o selo Cátedra-Unesco e selecionado para a Feira do Livro de Bolonha, Itália. Seus mestres na xilogravura foram Stenio Diniz, Jô Oliveira, Valdeck de Garanhuns e Regina Drozina. É mestre em Estudos Culturais pela Universidade de São Paulo em estudo sobre as cavalhadas dramáticas do Médio São Francisco. 

Abaixo, algumas das artes de Lucélia.


Festa brasileira (releitura de Luciano Tasso).

Luiz Gonzaga (releitura de desenho de Jô Oliveira). 

Barbatão para livro "O sonho de Lampião.

Capa do cordel A Lenda do Cabeça de Cuia,
de Pedro Monteiro.


Ilustração para cordel de Pedro Monteiro.

Pavão Misterioso (matriz). 


Com Pablo Borges e J. Borges.
Espaço do Cordel: Bienal do Livro de São Paulo 
Corujinhas. Prova  e matriz. 
Xilogravura para capa de folheto de José Walter Pires. 

Recebendo o aval do mestre J. Borges. 
Peleja de Zé Limeira com Chico Antônio.
Xilogravura para cordel de João Paulo Resplandes



Imagem interna para o livro A Jornada Heroica de Maria 
(Melhoramentos), de Marco Haurélio.

Maria encontra o Príncipe Papagaio. Imagem interna para o
livro A Jornada Heroica de Maria. 

Conto popular "O laço do diabo". Recolhido por Marco Haurélio
Contos encantados do Brasil (Aletria, 2022)
Mulheres de Lua. Xilogravura para cordel de Nilza Dias

A lenda da Iara. Xilogravura para capa de cordel de Pedro Monteiro. 


Chegada de Lampião à Malhada da Caiçara
Livro O sonho de Lampião (Principis, 2022)
Maria Bonita grávida
e as mulheres do Cangaço.




Angela Davis e Frida Kahlo.
Capa para folheto de Daniella Bento


Ancestralidade matrilinear tabajara.
Xilo para cordel de Auritha Tabajara (Sesc Pompeia)


A artista na Editora Nova Alexandria.


Nota: Atualizado em  20 de mio de 2023. 

Contatos:

Lucélia Borges
E-mail: luceliapardim@gmail.com
Fone: (11) 98597-4133

<i>O sonho de Lampião</i>

  Lançamento:  O sonho de Lampião O convite para escrever uma história sobre Lampião veio da escritora Penélope Martins, que fora sondada pe...